Quinta, 17 Out 2019

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Alquimia Interior PDF Imprimir E-mail

 

Quando a Idade Média européia recupera a Alquimia (sua origem é muito anterior), ela reaparece com seus elementos metafísicos muito ocultos, com os conhecimentos teóricos em grande parte perdidos e com noções práticas que devem ser executadas novamente para comprovar-se sua autenticidade e efetividade, encontramos grande número de experimentos e alguns alquimistas que levaram a cabo sua obra, chegando o que para nós é uma utopia: a conquista do ouro. Mas outros não chegaram a obtê-lo e alguns voaram, com laboratório e tudo. Por ser uma ciência prática, o perigo que se corria, por seu desconhecimento, era muito grande.

Passados tantos séculos, nos perguntamos: O que ficou da Alquimia? Que elementos são importantes considerar? O primeiro aspecto é o procedimento para fabricar ouro a partir de um procedimento para fabricar ouro a partir de metais menos nobres, com o fim de enriquecimento e conquista de poder; Outra, é o da imortalidade; Outra, é a busca da felicidade.

Há uma grande tendência a ver da Alquimia uma forma de antecipação da Química, como se faz com a Astrologia e a Astronomia. Ainda que a Alquimia e a Química trabalhem com elementos da Natureza, não utilizam os mesmos, nem da mesma forma, não tem os mesmos princípios e nem os mesmos fins. A Química necessita dos elementos, de um laboratório físico e de um agente físico, o homem. A Alquimia, além desses elementos, necessita de uma série de princípios morais e filosóficos e vale-se de trabalhos que nem sempre se realizam através do corpo, mas mediante a Alma. Por isso, não há uma exata correlação entre ambas. Devemos recordar que os antigos costumavam diferenciar perfeitamente fenômenos físicos, químicos e alquímicos. Se faziam estas diferenciações é porque não se referiam à mesma coisa.

No fenômeno físico há mudança de forma mas não molecular. No químico, há mudança molecular. No alquímico, não há uma mudança formal, nem uma separação molecular e sim, uma mudança interna. Uma molécula do H, através de certas rupturas, mudanças e transformações internas, deixa de ser um átomo de H e converte-se em átomo de outro elemento. Esse é um fenômeno alquímico (“fissão do átomo”)

O processo alquímico partia de uma idéia de que na Natureza, no Cosmo, tudo o que existe se move, evolui e se dirige a algum lugar, tem um fim,, um destino, tanto as pedras quanto as plantas, os animais e os homens.

O processo alquímico buscava com suas transmutações acelerar, melhorar, ajudar a crescer. Aquilo que um dia vai ser ouro, pode chegar a sê-lo agora, porque ser ouro representa a sua perfeição; Aquilo que no homem um dia vai ser imortal, pode sê-lo agora porque a imortalidade representa sua perfeição; Aquilo que um dia vai chegar a ser perfeito, pode ser perfeito agora e se em lugar de levar horas, há uma fórmula que leve somente minutos, que seja em minutos.

Assim o alquimista se converte, quando exercita a sua ciência e sua filosofia, em um verdadeiro benfeitor da Natureza, a qual ajuda a evoluir muito mais rapidamente. Esse é o sentido das transmutações e o ser ouro: ouro como símbolo da perfeição, da cúspide, o mesmo que o Sol. Tudo tem que chegar à sua perfeição e se tem que ser assim, porque os alquimistas tinham tanto interesse em guardar seus ensinamentos, entre um círculo de adeptos e sem que ninguém pudesse se aproximar deles e muito menos compreendê-los?

Até hoje, um livro de alquimia, alem de interessar-nos pouco, é inabordável. Seus textos, como todo o conhecimento esotérico (interior) da antiguidade são consideradas armas, facas de dois gumes. São armas perigosas para aqueles que não sabem dominar primeiro a própria personalidade, as próprias paixões, os próprios apetites terrestres. É perigoso para aqueles que, levados pelo egoísmo, fariam uso desses conhecimentos em benefício próprio e não no da Natureza nem dos demais. Por isso esse conhecimento é guardado e, dessa forma, torna-se tão esotérico, tão interno, que requer muito tempo para poder chegar a decifrá-los.

Alguns princípios que constituem o “corpo” da Alquimia:

Unidade da Matéria: quando se manifesta pode adquirir múltiplos aspectos, mil formas variadas. Porém a base, a raiz é Una, base e fundamento de todo o Cosmos.

Tudo o que é no Macrocosmos, é também no Microcosmos: tudo o que é no grande, é também no pequeno; tudo o que se dá no Céu, se dá no homem e vice-versa. O que quer dizer que ampliando os processos humanos, podemos chegar a compreender os processos cósmicos. Há uma correlação, uma semelhança, dado que tudo parte de um primeiro princípio, de um primeiro elemento base que serviu para o grande e para o pequeno, para o que está acima e para o que está embaixo.

Com base nessa correlação é que a alquimia trabalha continuamente, produzindo transmutações que, longe de romper com a Natureza, segue um caminho reto de semelhanças. O destino do chumbo é chegar a ser ouro; o destino dos homens é chegar a ser deuses. Estas são as transmutações que se buscam.

Outro princípio: A Matéria Primeira tem três elementos constitutivos, combinados em distintas proporções: Enxofre, Mercúrio e Sal (na terminologia alquímica). Não são os elementos da química. Estes são nomes que se empregam para elementos da Natureza. Tais elementos combinados fazem com que alguns corpos na Natureza sejam mais perfeitos e outros menos. Quanto mais Enxofre, mais perfeitos. O Enxofre é o que mais se parece ao Sol e ao Ouro, trazendo em si suas potencialidades. Quanto mais Sal, mais imperfeição, ou seja, mais peso, mais corpo, mais terra.

Qual a tarefa do Alquimista? Variar esta proporção até conseguir que tudo se transforme em ouro. Isto não significa tornarmo-nos loucos amantes do ouro. Todos os corpos devem adquirir a proporção adequada desses três elementos de tal forma que cada um se expresse da maneira mais alta e perfeita possível. Isto é convertê-lo em Ouro.

No homem há Ouro que é seu Eu Superior, o Arquétipo Homem, esse homem que sonhamos e que está além de toda a concepção mental. Esse é o Ouro para os homens.

O Enxofre é o aspecto superior, o Espírito, o conjunto de potencialidades e virtudes máximas, sua máxima compreensão mental não só a nível racional mas também intuitivo; sua máxima expressão de vontade e de divindade.

No homem também há Mercúrio, a sua vida, todo o conjunto de nossas limitações psico-vitais, nossas emoções, paixões, sentimentos, nossa vitalidade, nosso desejo de comer e de dormir, de correr, de falar, de chorar, de rir, de viver. Tudo o que é animado, é o Mercúrio no homem.

O Sal é o corpo. Qual é o homem mais próximo da perfeição? Aquele que faz primar o Enxofre, aquele que consegue, pouco a pouco, estabilizar seus elementos de maneira que o superior domine o inferior. Há um símbolo que expressa esta, a Cruz. O eixo vertical para o Enxofre, o horizontal para o Mercúrio e o ponto de união, onde há estabilização, onde tudo se concretiza e aquieta é o Sal.

Velhas civilizações afirmaram a existência de sete elementos na composição do homem. Também os alquimistas repetem este conceito, quatro princípios inferiores e três superiores. Os quatro inferiores estão implícitos na divisão feita entre Enxofre, Mercúrio e Sal. O Enxofre equivale ao fogo; o Mercúrio, com a sua dupla capacidade de sólido e líquido, equivale ao Ar e à Água; o Sal equivale à Terra.

Esses quatro elementos, Fogo, Ar, Água e Terra não são os que conhecemos. Segundo os Alquimistas, o único que conhecemos é a Terra por termos a consciência implicada nela. Os demais são para nós apenas reflexos. Conhecemos a água da Terra, o ar da Terra e o fogo da Terra mas desconhecemos o que verdadeiramente é Água, Ar e Fogo.

Para concebê-lo em relação ao homem, teríamos que pensar a Terra como Corpo, a Água como vitalidade ou conjunto de expressões que nos distinguem como ser vivo, o Ar como Psiquicidade ou conjunto de emoções e sentimentos que fazem de nós um ser com capacidade de expressão sentimental, e o Fogo como poder de pensamento, de raciocínio de compreensão e relação de idéias. Assim estão os quatro elementos dentro do homem.

Além dos quatro princípios que mencionamos, somam-se mais três: uma mente racional, que não se refere ao eu, mas ao conjunto das coisas; uma capacidade intuitiva ou seja, captação direta ou compreensão instantânea das coisas; e uma possibilidade de vontade pura, capaz de conceber a ação pela ação em si, sem necessidade de recompensa.

A sabedoria Alquímica nos ensina duas coisas: algo no teórico, no espiritual, no que se refere ao conhecimento e algo no prático.

Quanto ao conhecimento afirma que não há que olhar a aparência das coisas, mas sim buscar suas raízes profundas, suas causas. Não a forma que os objetos tomam, mas o espírito que neles reside. Ensina-nos a ir sempre um pouco além, a conhecer os elementos da Natureza e a conviver com eles, já que tem a mesma razão de ser, a mesma consistência que o que nós valorizamos como seres humanos.

No aspecto prático (não no de conseguir muito ouro para obter riquezas), a Alquimia ensina a recuperar os poderes que alguma vez perdeu com a queda a qual toda a cultura se refere ao mencionar que o homem, em um determinado momento de sua evolução, perde coisas. Não é que o homem vem à terra, há uma descida. Sua situação é tal que não pode estar em outro lugar, perdeu a faculdade de estar em outro lugar.

A Alquimia devolve ao homem os poderes para erguer-se da queda, para começar a subir, para voltar a crescer ou, para acelerar sua evolução. Outorga-lhe a capacidade de ser imortal, apesar de ser imortal. O erro consiste em referir a imortalidade ao corpo, a imortalidade não é característica do corpo, é uma qualidade do Espírito. Este é imortal. O grande problema do homem é que não sabe, não toma consciência, não vive, não entende que seu Espírito é imortal e, encarcerado pelo corpo, preso somente à vida do corpo, só busca trazer a ele a imortalidade, ao único que vê, ao único que sente e sobre o qual quer situar a sede da eternidade que o supera.

A Alquimia busca dar uma gota de consciência, um pouco de conhecimento, um pouco de sabedoria. E como pensar, então, que o homem que percebe que pode crescer, aperfeiçoar-se, transmutar seu barro pessoal em Ouro Espiritual, sua inconsciência e desconhecimento em compreensão da essência de seu próprio eu, não seja feliz? Ou acaso não é feliz o homem que conquista a si mesmo? Ou somente traz felicidade o dinheiro, o ter uma casa maior, um nome mais conhecido? Não vamos acaso reservar o termo felicidade para a maior das posses? Não é feliz aquele que por fim conhece a si mesmo?

Portanto, há ouro, há imortalidade, há felicidade. Tudo isso pode-se conseguir após muitos anos de estudo e de esforço, pode-se conseguir, as vezes, de uma maneira tão simples e tão natural que é precisamente a que primeiro depreciamos.

No íntimo de cada ser há um laboratório, em cada eu há um alquimista. Porque sonhar com coisas diferentes quando, geralmente, temos a riqueza ao alcance das nossas mãos? Não digo com isto que não tenha existido alquimistas, mas sim afirmo que também temos algum aspecto do conhecimento e neste caso, do conhecimento da Alquimia, muito mais pertodo que chegamos a conceber.

Em cada um de nós há um operador, um transmutador; há meios, material, força, vida para conseguir fazer do chumbo dos seus defeitos o ouro de suas virtudes, mas primeiro tem que querê-lo como também os alquimistas queriam conseguir seu ouro.

Além de querê-lo, também há que trabalhar para isso. Há que forjar esse laboratório interior. A transmutação se produzirá e, junto ao ouro das virtudes, virá a aquisição da consciência da imortalidade, virá o saber que “sempre fomos e sempre seremos”, não importa com que rosto, não importa com que olhos, não importa com que voz nos expressemos, não importa que tamanho tenhamos. E como coroa de todo esse processo teremos chegado a ser Homens e Mulheres que sabem o que são, sabem o que querem, sabem de onde vêm e para onde vão, são certificados, autenticados segundo as coordenadas da Natureza Humana.

A Alquimia permite agregar virtudes ao Homem Novo que tanto sonhamos. Para o Homem Novo: Ouro, brilho, luminosidade, limpeza. Para o Homem Novo: Imortalidade, aquilo que está sempre; para ele não há tempo: há Ser. Para o Homem Novo: o melhor dos tesouros, felicidade.

Texto adaptado de Délia S. Guzmán