Quinta, 17 Out 2019

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Como se Realizam os Sonhos PDF Imprimir E-mail
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Acredito que toda a pessoa busca por excelência a sabedoria, somos todos um pouco sábios em algumas coisas, nos falta em outras e não há Universidade que possa fazer sábios de per si ou filósofos; Poderá reconhecer mediante um título uma série de conhecimentos técnicos, porém não há universidades que façam filósofos, como não há as que façam poetas ou músicos. Levamos dentro de nós esta inquietude: somos enamorados da sabedoria, enamorados da profundidade das coisas.

Esta inquietude está dentro de nós e como dizia Platão, simplesmente é questão de reencontrá-la, encontrando a nós mesmos para ver neste espelho encantado nosso novo rosto, o rosto profundo que podemos ter.

Os sonhos que vamos falar aqui não são os de sentido físico, de estar adormecido ou desperto, mas de como se realizam os sonhos, os arquétipos, tudo aquilo que está por trás das coisas físicas. Não desconheço que exista a Lei da Gravidade que faz correr a água do rio ao mar, porém esta lei é um ente mecânico, por trás do qual tem que haver um Ser, e esse Ser é o sonho que sonha o rio. O rio é rio e corre porque sonha que corre; Os pássaros, de alguma forma, sonham que são pássaros e nós, sonhamos o que somos. Todos temos dentro de nós uma série de sonhos: artísticos, familiares, econômicos, sociais, políticos...

Todos tem sonhos, todos tem a possibilidade de sonhar, todos estamos em contato com esse Ente interior onde vivem os Arquétipos, onde estão os Sonhos. Todos nós, em nossa humildade, em nosso recolhimento, sentimos passar, as vezes, as grandes centelhas dos sonhos. Há vozes misteriosas que nos gritam desde os poemas, esses que talvez nunca escrevemos, porque somos tímidos para fazê-los. Há músicas que não podemos expressar porque não sabemos manejar um instrumento ou porque não conhecemos música. Há mil idéias de como fazer isto ou aquilo, porém não podemos fazê-lo porque não temos a força econômica necessária.

Existe dentro de nós um mundo arquetípico, uma chamada ancestral à Perfeição, ao Bem, à Concórdia, ao Amor; Uma chamada forte, poderosa, constante que não nos abandona nunca. É uma chamada que não envelhece jamais, não importa a idade que temos, segue dentro de nós... Como se realizam os sonhos? Vejamos:

Na Natureza podemos encontrar sete planos, assim como há sete dias da semana, sete notas musicais básicas, sete cores fundamentais, existe um setenário que rege o mundo manifestado que conhecemos. Também a realização dos sonhos está regida por um setenário: há uma dimensão que podemos chamar de vontade, onde as coisas são quimicamente puras, coisas que existem mais além de todas as aparências e que provocam fenômenos similares. A esta dimensão não alcança a morte, nem a decadência, nem nenhuma das formas de desprestígio que hoje conhecemos.

Abaixo deste está a dimensão da Intuição onde sujeito e objeto colocam-se em contato direto e onde podemos conhecer as coisas diretamente, sem necessidade de intermediários. Qualquer um poderia dizer se um objeto é belo ou não. Talvez não estejamos todos de acordo, talvez tenhamos distintos cânones de beleza, porém todos podemos dizer se algo é belo quando o é, há algo dentro de nós, algo inexorável que nos faz reconhecer a beleza. Numa terceira dimensão está o plano do Intelecto. Segundo os filósofos gregos, é aquele que nos permite entender as coisas em sua profundidade, captá-las a fundo, chegar à medula das mesmas.

Abaixo deste está o mundo da razão e dos desejos. Neste plano entramos na eterna dualidade, nossa mente é dual. É a dimensão da razão ligada ao desejo, a que trata de saber algo, a que tem sede de conhecer as coisas, de especular, de ganhar ou perder.

Abaixo ainda está o mundo psíquico, onde começam os nossos sonhos, nossa imaginação, nossas fantasias. Essa dimensão psíquica faz com que se transforme completamente nosso ser ante os demais. Há pessoas que não são bonitas fisicamente e no entanto, têm um encanto especial que faz com que nos sintamos atraídos por elas, um “algo” que desperta nosso interesse. Ao contrário, há pessoas com um aspecto físico, muito atrativas, bem vestidas, de agradável aparência, mas que inexplicavelmente não nos são simpáticas. E, freqüentemente nos perguntamos por que não vamos com a cara dessas pessoas que são boas e honradas. Estamos diante do mundo psíquico, que se relaciona de alguma maneira com o mundo intuitivo.

A dimensão psíquica coroa a dimensão inferior, a vitalidade que mantêm vivas, terminando com a dimensão física. Existe um mundo superior, abstrato que está mais além dos atributos de cor, de forma, de tamanho. Os sonhos, segundo os filósofos não são produtos dos homens, senão que seus antecessores. Estes sonhos, estes arquétipos é um esquema prévio natural que está mais além do que podemos captar. Estes sonhos existem como fantasmagóricos amigos, estranhos seres que vivem em nosso mundo arquetípico, espíritos travessos, luzes de cores, coisas estranhas, vozes desconhecidas, quadros que nunca vimos, palavras que nunca escutamos e que nunca aprendemos, existe uma espécie de Caixa de Pandora de onde nunca escapou a Esperança.

De que maneira se realizam? Realizando-se passo a passo. Para construir uma casa, primeiro a queremos, é um ato de volição. Logo pensamos que gostaríamos que tivesse uma grande janela com flores e também um pinheiro e um cachorro.

Isso o sentimos, o intuímos de alguma maneira, é nosso arquétipo, é o nosso sonho se concretizando. Porém agora vamos inteligir esse sonho. De que maneira concebemos essa casa? Em forma de torre, quadrada, alta, baixa, grande, pequena?

Logo vem a outra parte: quanto vale o m², fazer o alicerce, colocar os tijolos? Esse é o mundo da razão e dos desejos. Quando conseguimos racionalizar aquilo que mais ou menos nos é possível fazer, então psiquicamente começamos a desejá-lo.

Entrou o mundo psíquico, ao qual lhe prestamos, com a repetição e com a atenção contínua, uma vitalidade que vai aumentando. Isso é vida, dar vida aos sonhos. Talvez existam sonhos que não sejam tão fáceis de realizar, porém este seria um tema que levaria muito tempo. Às vezes há interesses criados que limitam os nossos sonhos e os sonhos dos demais, limitam os nossos próprios sonhos.

Há que se exercitar a vontade e o domínio sobre si mesmo para concretizar nossos sonhos. Há que se exercitar o saber desejar as coisas. Não basta pensá-las, é preciso desejá-las, vivê-las, colocá-las em ação, ter fé em si mesmo, conectar-se com o mundo espiritual.

Nossa grande reserva de energia: a vontade, a intuição, o intelecto. Aí, de alguma maneira vivem os nossos sonhos, nossos arquétipos, os que realizaremos agora ou em algum outro momento. Talvez não há maior acercamento à Verdade que saber enfrentar as coisas com profundidade e força. Há que se sonhar poderosamente, até que saltem lágrimas dos olhos, tencionando os músculos, fechando os olhos. Há que ser toda uma Vontade em marcha em direção a esse sonho que queremos.

Devemos ter uma grande força interior. Isso é o que nos diferencia dos animais. Essa força interior, essa Força de Sonhar, de Criar. Se hoje o mundo viesse abaixo, se perdêssemos nossa arte, nossa ciência, nossa filosofia, literatura, ainda que ficasse um casal sobre a terra, voltariam a repovoar o mundo e voltariam as bibliotecas, os poemas, as crianças, os quadros pintados. Voltaria a haver o Partenon e as Pirâmides porque o homem leva dentro de si os Arquétipos da totalidade da Humanidade.

Cada um de nós reflete em certo modo todos os homens que existiram sobre a terra, cada um tem dentro de si todos os sonhos dos que viveram sobre a terra e também dos que vão viver. Cada um de nós tem um potencial insuspeitado, mas falta-nos ter mais tenacidade. Não é fácil concretizar os sonhos, é muito difícil. Temos que fazer um grande esforço de dar vida a eles ano após ano, mês após mês, dia após dia, minuto após minuto. E, se não temos sonhos, sigamos o sonho de outro, mas não fiquemos sem sonhos. Tampouco temos estrelas nas mãos e no entanto, olhamos as estrelas que estão no céu. Tampouco temos mananciais de água em nosso peito e, no entanto, aprendemos a beber dos mananciais das montanhas. Assim, se não temos um sonho próprio, tratemos de seguir algum grande sonho que nos verticalize, que nos faça ser humanos não somente por fora, mas também por dentro. Porém, se realmente somos Homens como quer a Natureza que está dentro de cada um, então ergamo-nos e aproximemo-nos humildemente de Deus dizendo: eu sou um homem, eu tenho sonhos, não sou uma máquina, estou muito além.

Posso melhorar-me, posso sonhar algo que esteja por cima de mim mesmo. Sou um pouco da Criação, posso sonhar-me novo, um Homem Novo, que ultrapasse continuamente suas limitações, um Homem Novo que quando nasça poeta possa escrever seus versos, que quando nasça músico possa escrever suas composições.

Novo para poder viver ecologicamente, não contra a Natureza mas a seu favor, seguindo suas próprias leis naturais. Um Homem Novo que não conheça o medo, o ódio, nem o rancor, que nos recorde com Amor, porque nos o sonhamos quando não existia... Neste momento obscuro da história, em meio a todas as crises e queda de valores, em meio às vacilações e dúvidas , atrevemo-nos a sonhar com Ele, com alguém que vai nascer em nós, alguém que viva nas cidades sem sujá-las.

Um Homem Novo que seja íntegro por dentro, a quem não possam comprar nem com todo o ouro do mundo, que seja realmente consciente de sua Imortalidade, que saiba que ser homem não é simplesmente ter um esqueleto com forma humana, mas algo mais profundo.

O Homem Novo é como um Raio, um Relâmpago em meio à noite... Ser homem neste momento histórico é ser semente do Homem Novo, é precisamente ser como uma luz na noite. Nosso caminho, como dizia um pensador há muitos anos, está iluminado pelos relâmpagos e, através deles, vamos poder chegar até este Homem Novo e melhor que todos sonhamos. Vamos poder fazer descer os sonhos, nossas mãos cheias de sementes vão receber as pombas brancas da inspiração e, outra vez, haverá Homeros que cantem, outra vez haverá homens grandes que esculpam e pintem, outra vez poderemos estar orgulhosos de ser homens.

Esta é a plasmação dos sonhos, dos pequenos sonhos como o da casa e dos grandes sonhos como o de despertar um Homem Novo. É a mecânica filosófica que faz com que os sonhos possam encarnar. Cada um de nós é um sonho e neste mundo de sonhos, saibamos o que somos: uma luz que passa no horizonte?

Somos esta força iniludível que pode fazer aquilo que sonhava Cervantes em seu Dom Quixote: converter os gigantes em moinhos de vento. Em cada contato com outro ser humano e, ainda quando estejamos a sós, lembremo-nos sempre que temos a dignidade de ser seres humanos, que detrás de nós há milhares e milhares de anos de História e que por adiante há milhares e milhares de anos de futuro. Que somos um elo de uma Grande Corrente e que temos a responsabilidade histórica de levar as nossas sementes até o Mundo Novo e de abrir os sulcos da Terra Nova. Tenhamos a força suficiente para levantarmo-nos cada manhã renovados e sejamos o que sejamos, façamos o que fizermos, tratemos de fazê-lo bem, de maneira filosófica.

Jorge A. L. Rizzi